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Centro Holístico de Desenvolvimento Pessoal
A pedagogia do amor: Autor - Roberto Crema - 15/06/2003
Religar conhecimento ao amor é o mais instigante desafio do
momento. É esta a metavirtude que precisa orientar nossa sofisticada
tecnociência. Como afirmou um sábio, o amor é a tecnologia mais sofisticada de
todos os universos!... Sem amor não é possível reinventar e reencantar nenhum
mundo, nenhuma sala de aula... Nós precisamos da pedagogia do amor, porque esta
é a primeira e a derradeira lição de uma escola transdisciplinar holística da
existência. Somente no dia em que aprendermos a amar total e incondicionalmente
é que receberemos um certificado de humanidade plena. Esta é a Utopia Humana e
estamos aqui para fazê-la florescer...
Não é difícil constatar que o desencantamento do mundo se deu através da
desconexão com esta fonte de Vida, sobre a qual Teilhard de Chardin
afirmava: “Quando os seres humanos domarem as ondas, os ventos, as tempestades,
os furacões, quem sabe não dominarão, também, as forças do amor? Então, pela
segunda vez na história da humanidade, teremos inventado o fogo!”
Aprender a conhecer e a fazer de forma integrada, através da experiência viva e
com discernimento continua sendo uma arte a ser devidamente aplicada e
aperfeiçoada. Para tal, necessitamos de uma escola do Olhar, pois a visão é a
véspera do conhecimento. Abrir o olhar para si, para o outro, para o Universo e
o Totalmente Outro, eis uma lição fundamental. Um olhar fluídico, que não fica
paralisado num único alvo, capaz de acompanhar a dança do agora. Mudar o mundo é
mudar o modo de olhar... Necessitamos, também, de uma escola da Escuta. Escutar
antecede compreender. Precisamos transcender esta crise absurda, esta surdez
diante dos alaridos e canções da realidade, relembrando um pensamento de
Confúcio :
Aos 15 anos, orientei meu coração para aprender.
Aos 30, plantei meus pés firmemente no chão.
Aos 40, não mais sofria de perplexidade.
Aos 50, eu sabia quais eram os preceitos do Céu.
Aos 60, eu os ouvia com os ouvidos dóceis.
Aos 70, eu podia seguir as indicações do meu próprio coração, porque o que eu
desejava não mais excedia as fronteiras da Justiça.
Quando orientamos o coração para aprender? Não apenas para conhecer o mundo
exterior e para, nele, actuar. Sobretudo para aprender a estar no mundo, navegar
o encontro e florescer como seres humanos. Para tomar consciência do fio de
ligação que conecta todos os nossos passos e todos os eventos no qual habitamos.
Como afirma o estadista, Václav Havel, a educação, hoje, é a capacidade de
perceber as conexões ocultas entre os fenómenos.
Quem é terapeuta, sabe que cada sintoma é um texto sagrado, que precisa ser
escutado e interpretado, em seus múltiplos significados. Como afirma a sabedoria
dos velhos rabinos, cada frase bíblica é susceptível de 72 interpretações! Pois
são 72 os nomes que damos àquilo que não tem nome, segundo a Cabala. Esta é uma
sábia prevenção contra o perigo dos catecismos estreitos e dos fundamentalismos
fanáticos, cuja tragédia estamos presenciando. Como afirmou um sábio, fanático é
uma pessoa que não muda de ideia e nem de assunto!
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