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Centro Holístico de Desenvolvimento Pessoal
O despertar de uma inteligência integral
Entrevista exclusiva com Roberto Crema ao Jornal Infinito ( Brasil)
Roberto Crema é
Psicólogo, Filosofo e Antropólogo e é um dos professores da
Universidade da Paz :Universidade Holística Internacional, escritor com
várias obras publicadas, conferencista internacional, coordenador do CIT
/ Brasil (Colégio Internacional dos Terapeutas).
JORNAL INFINITO - O homem afastou-se de sua verdadeira natureza. A
seu ver, quais os principais impactos dessa ruptura?
Roberto Crema - Os sintomas dessa dissociação alienante são
bastante claros: a degradação ambiental, a escalada da violência, as
infindáveis guerras, a exclusão perversa e desumana, a injustiça crónica,
o cinismo generalizado, a corrupção dominante, o índice alarmante do
suicídio infanto-juvenil, são óbvios sinais de decadência de uma
civilização que se desconectou da alma, da consciência, da ética e do
espírito. Investir na subjectividade, nos tesouros do coração e no
despertar de uma inteligência global é a estratégia mais importante de
nosso momento histórico. O esquecimento do ser, da dimensão essencial, e
a idolatria do ego, são factores que se encontram na fonte mesma da
crise global que exige uma consciência total para ser transcendida.
O senhor acredita que a ciência está, de certa forma, validando
alguns conceitos que, até então, pertenciam às tradições espirituais?
Sem dúvida, estamos superando, felizmente, o que denomino de pacto do
século XVII, que estabeleceu um princípio equivocado de antagonismo
entre o domínio científico e o domínio do sagrado. Essas são duas formas
distintas e complementares, de apreensão da realidade una. Compreendo
que a espiritualidade se traduz por uma consciência de participação que,
na essência, é amor. Na prática, é solidariedade. Com esta
desvinculação, a ciência se desconectou do cuidado amoroso e do serviço.
A própria UNESCO, há quase duas décadas, através de importantes
documentos, vem postulando e nos convocando para o desenvolvimento da
abordagem transdisciplinar, que visa o resgate da unidade do
conhecimento. Essa tem sido a tarefa básica da UNIPAZ, nos últimos 15
anos. Falamos, hoje, dos quatro pilares de uma nova educação: educar
para conhecer, educar para fazer, educar para conviver e educar para
ser. Talvez o historiador do futuro, analisando o período em que
vivemos, dirá que a revolução mais importante foi o reencontro do
Ocidente com o Oriente, da razão com o coração, da ciência com a
essência.
Qual o papel das religiões em pleno século XXI?
Como a etimologia indica, religião implica em religar, uma religação
da parte com o todo, do ser humano com a humanidade, a natureza e o
grande sopro da vida, o ser que nos faz ser. É, também, uma forma
particular de encarnar a espiritualidade viva. Infelizmente, ela pode se
desconectar de sua fonte original, tornando-se mera instituição, uma
burocracia do suposto-divino e, na pior das hipóteses, em mecanismos de
controle de massas, cegos e destruidores, a exemplo de todos os
fundamentalismos. Basta lembrar que as centenas de guerras travadas no
século XX tiveram motivos dominantemente étnicos e religiosos. Basta ler
as manchetes de qualquer jornal, para constatarmos que, nem sempre, as
religiões têm sido instrumentos de união amorosa e fraterna. A abordagem
transdisciplinar é, também, transcultural e transreligiosa, colocando a
ênfase na espiritualidade autêntica, que Einstein denominava de cósmica
e um famoso físico contemporâneo, Fritjof Capra, denomina de
"Pertencendo ao Universo". Necessitamos de uma terapia das religiões.
Não haverá paz entre os povos e nações enquanto os líderes religiosos
não forem capazes de darem as suas mãos e colaborarem, em conjunto, para
que o bom, o belo e o bem possam prevalecer. Felizmente, há muitas e
boas iniciativas neste sentido, como o recente encontro em Assis.
Na sua opinião, qual é a missão básica do ser humano?
A missão do ser humano é se tornar, plenamente, humano. Como afirmam os
sábios, antigos e contemporâneos, o ser humano ainda não nasceu. Nossa
espécie introduziu uma nova qualidade de evolução neste planeta: a
evolução intencional e consciente. Nós nos tornamos humanos, realmente,
através do investimento disciplinado no solo fértil de nossos talentos
vocacionais. A parábola é bela e antiga: todos recebemos alguns
talentos, que nos serão devidamente cobrados, pelo Senhor da Vida. Nesse
sentido, o autêntico ser humano é uma utopia que necessitamos realizar.
Para nos inspirar, há alguns sonhos premonitórios, como Cristo, Buda e
Francisco de Assis, entre muitos outros. Verdadeiros arquétipos de
humanidade plena, a indicar o alcance insuspeitado do nosso potencial de
humanidade.
Se depender da nossa memória celular, o homem pode conectar-se
novamente com sua divindade?
Se formos capazes de esgotar um átomo do pacote de memórias que estamos
sendo, poderemos nos recordar de nossa origem comum existencial, no Big
Bang e, muito mais além, poderemos saborear o néctar da essência, o
gosto daquilo que realmente somos, o mistério infinito que brinca em
nossa inquietante finitude.
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