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Viagens Templárias em Terras de  Portugal

 

Textos de Pedro Silva:  Autor do livro: "Templários em Portugal" (Ícone Editora).

 

Estimado leitor, inicia-se hoje, este espaço, inteiramente dedicado às viagens pelos locais intimamente ligados aos Templários. Trataremos de fazer uma breve introdução à temática em questão.  O objectivo, destas crónicas de viagem, será de proporcionar aos leitores que estejam impossibilitados de viajar com a frequência desejada que possam tomar contacto com as belezas arquitectónicas e monumentais legadas pela Ordem do Templo ao futuro – as quais, nós, habitantes do presente, temos a felicidade de poder observar.

 

Castelo de Tomar

 

Infelizmente,  temos a lamentar que os antigos castelos dos Templários são aqueles que no momento se apresentam em piores condições, excepto os poucos que teremos oportunidade de retratar de forma mais detalhada. Existiram imensos locais em Portugal onde a Ordem do Templo esteve presente de maneira significativa. Do número inicial, foram retirados alguns dos Castelos pertencentes à Ordem do Templo (e à sua sucessora, em Portugal, Ordem de Cristo), no entanto, não gostaríamos de deixar de fazer referência, textual, de alguns locais que  fazem parte da história Templária em Portugal.

 

Em Quinta da Cardiga, a poucos quilómetros da cidade de Tomar, em Portugal, encontrava-se um pequeno reduto templário. Em 1169, o primeiro rei português, D. Afonso Henriques doou-a aos Templários, para que  ali erigissem um castelo, segundo consta, assim o fizeram. Esta comenda não terá nunca participado de qualquer disputa territorial, pelo que foi diminuindo o seu interesse estratégico,  e apesar de ter passado para as mãos da Ordem de Cristo, não subsistem hoje em dia, quaisquer registos físicos da sua existência.


Na Vila de Touro, no concelho do Sabugal (distrito da Guarda), resiste ainda um perímetro amuralhado, com uma porta única (Porta de S. Gens), segundo se sabe não terá sido totalmente construído, apesar de D. Afonso II ter doado a Vila em 1218, a verdade é que se tratava de um ponto estratégico, ao nível de defesa em relação ao invasor espanhol, e talvez por isso o monarca a tenha doado à Ordem militar-religiosa que lhe daria mais garantias. Em 1319, foi transferida, naturalmente, para a Ordem de Cristo, sendo que, em 1510, houve uma renovação do respectivo foral.

Idanha-a-Nova, perto de Castelo Branco, um importante bastião templário foi fundada em 1187, por D. Gualdim Pais, Mestre dos Templários em Portugal, este hábil homem mandou construir um castelo na povoação, algo que fez  o monarca D. Sancho I doá-la aos Templários, em 1206.


Sobre Ródão, podemos avistar vestígios de um pequeno castelo, no topo de uma íngreme escarpa, crê-se que tenha pertencido aos Templários, mas não há uma confirmação notória, apesar de alguns autores, tal como Paulo Loução, em “Os Templários na formação de Portugal”, o colocarem como pertencente da Ordem.


Remando para  sul encontramos pelo menos dois outros vestígios que merecem referência, apesar de alguns autores apontarem outras possibilidades, como Évora, Pinheiro, Montalvão ou Raposeira, consideraremos apenas aqueles onde se encontra confirmada factualmente a presença templária : Alpalhão e Olivença, são dois sítios onde os vestígios físicos actualmente, não são justificativos de uma visita. Em Alpalhão, por exemplo, não há vestígio de castelo ou muralha, apesar das hipóteses de desenho apontados  por Duarte Darmas, sabemos ter sido um dos primeiros locais a ser doado aos Templários e que em 1300 D. Dinis terá exigido a construção de um Castelo. Sobre Olivença, uma velha questão mal resolvida, pouco há a dizer sobre o espaço físico do importantíssimo castelo, sabe-se, no entanto, que foram os Templários que conquistaram, aos mouros, a vila de Olivença em 1228.


Em Mogadouro, por terras de Trás-os-Montes, na chamada “Terra Fria”, encontramos um dos locais onde a Ordem esteve bem instalada, sobretudo a pensar nos ataques vindos da vizinha Espanha. Este castelo construído no século XII foi concedido em 1297 pelo monarca português à ordem militar e religiosa, tendo passado para as mãos dos seus sucessores (Ordem de Cristo) em 1319. Tivemos a oportunidade de passar algum tempo junto do que resta da estrutura – alguma muralha, uma torre quadrangular (de aplicação incerta, talvez de menagem) e a Torre do Relógio. Foi durante a sua época mais gloriosa uma vila pujante, para com o passar do tempo ir-se degradando. A presença das seteiras é um exemplo arquitectónico que conota aos Templários, é considerado Monumento Nacional desde 1946, algo que denota a sua importância histórica.


Da época da reconquista (séc. XI) foi reconstruído em 1176 pelo Mestre Templário D. Gualdim Pais, e classificado como Monumento Nacional desde 1943, localizando no ponto mais alto e central da freguesia, ocupando um espaço de pouco mais de quinhentos hectares.


Fazendo parte do conjunto de fortalezas do Côa, o Castelo de Longroiva resiste ainda com a sua torre cimeira, com vinte metros de altura e naturalmente, alguns resquícios das muralhas. A Langóbriga dos Lusitanos, tornou-se a Longroiva dos Templários, por ordem de D. Afonso Henriques, algo que permitiu que tenha sido um bastião defensivo de elevada monta.


Na cidade de Castelo Branco, resiste um castelo apenas na memória dos livros de História, duas pequenas torres ou restos das mesmas, e um pano amuralhado são vestígios demasiado simples para a importância que a cidade actualmente possui, perdida por terras da Beira Interior. Nos seus tempos áureos, o Castelo chegou a possuir dez entradas, que facilitariam a entrada e saída da grande massa populacional que por ali pululava. Hoje, apenas memórias do tempo em que o mestre templário D. Pedro Alvito (ou Alvitez), lhe concedeu foral no século XIII.


A pequena aldeia de Castelo Novo, foi bem acarinhada por D. Dinis que ali construiu uma torre de atalaia (um castelinho). Hoje em dia é um exemplo de povoação medieval, com grande limpeza e aproveitamento da natureza que a rodeia, ou não fizesse parte da Serra da Gardunha. O Castelo, ou o que resta dele, encontra-se isolado numa encosta com cerca de seiscentos metros de altitude.


Consegue-se ainda vislumbrar as típicas gárgulas (espécie de animais fabulosos ou monstros medievais, que surgem, religiosamente, como símbolo de forças, ou submetidos à vontade de um poder superior) que os Templários utilizavam nas suas fortificações, assim como uma torre de planta centralizada e uma torre de menagem praticamente destruída. Castelo Novo justifica uma visita, visto que conjuga um determinado conjunto arquitectónico com o verde da paisagem e o sossego que a Serra da Gardunha proporciona.


Em termos puramente históricos, subsiste ainda alguma dúvida sobre o verdadeiro aparecimento desta fortaleza, pois nem todos acreditam que tenha sido entregue a D. Gualdim Pais, visto que há historiadores que crêem piamente na hipótese D. Pedro Guterri.


O Castelo de Nisa, bem no Alentejo pode afirmar-se que pura e simplesmente, não existe, o que resiste são apenas duas portas, a principal da vila e de Montalvão. Muito pouco para algo que, na Idade Média, detinha uma importância relevante. A sua construção, visando a protecção contra as investidas mouriscas, foi dirigida pelo Mestre dos Templários em Portugal, D. Frei Lourenço Martins, por volta de 1290, e exigida por D. Dinis, e apoiando-se nos conhecimentos dos Templários, tal como D. Afonso Henriques fizera uns séculos antes, aproveitando-se dos conhecimentos técnicos de D. Gualdim Pais, seu grande amigo. A vila passou mais tarde, para as mãos da Ordem de Aviz.


Em Penamacor, apesar da beleza natural da vila (na zona da Covilhã, local de grandes altitudes, ou não fosse o espaço geográfico da imponente Serra da Estrela), os vestígios monumentais da época dos Templários restringem-se a um espaço com alguma muralha e a reconstrução de uma antiga Torre de Menagem. Desilusão tremenda para os visitantes… Mas, seja como for, a verdade é que os Templários também não lhe prestaram grande atenção, visto que em 1187, o rei em uma das suas visitas encontrou o local abandonado, apesar da sua doação ao Mestre da Ordem do Templo. Forçando-o a fazer obras, é com satisfação que sabemos que o foral foi renovado, pelo cumprir das obrigações dos Templários. Apesar de esta vila nunca ter, ao que se julga, participado em conflitos armados, o seu estado de degradação sobretudo pelo desleixo a que foi votada, tomou conta dos monumentos templários.


Terminamos,  em Penha Garcia, esta visita por alguns dos locais templários em Portugal .Geograficamente falando, esta freguesia encontra-se na costa meridional da serra homónima. Não temos a certeza de ter sido pertença dos Templários, se bem que se comente, com alguma insistência essa probabilidade. A verdade é que, tendo ou não sido uma realidade, o desinteresse, já demonstrado com Penamacor, fez-se valer aqui também, não tendo o monarca dado segunda oportunidade, e em pouco tempo, mais concretamente em 1220, a Ordem de Santiago recebeu-a da parte do rei. Por incrível que pareça, o mesmo D. Afonso III, 36 anos depois retira-a das posses de Santiago. D. Dinis, grande amigo da Ordem do Templo ordenou finalmente, a construção do castelo e doou-a em 1300 novamente a esta instituição religiosa e militar. Dezanove anos depois, por vicissitudes conhecidas, sucedeu-lhe a Ordem de Cristo. Em termos arquitectónicos, ressalve-se o pormenor, curioso, dos 117 degraus necessários para se chegar ao local onde outrora terá existido uma bonita fortaleza, subsistindo algumas paredes e muralhas. Um local de grande beleza natural, não ajudado, actualmente, pela arquitectura militar.

 

A Associação Cultural Nova Acrópole, está a organizar viagens culturais da Demanda do Misticismo em Portugal - ciclo «Portugal Profundo e Esotérico» : no passado dia de 03 de Junho / 2006, a viagem foi a Tomar, guiada pelo Historiador Paulo Loução, deixo o meu contributo pessoal desta viagem:

 

Convento de Cristo - Janela Capítulo

 

 

Descubra o “O sagrado & o Misticismo” de Portugal:

 

(Cromeleque dos Almendres – ÉVORA)

Convido o leitor a uma empolgante descoberta!, no seio de Portugal!

 

Como é possível, que o Povo Português não valorize Portugal?

 

Como é possível, desdenhar tal riqueza escrita em cada pedra, em cada castelo, em cada aldeia, em cada Distrito?

 

Como é possível, desdenhar  tal beleza, tal encanto, que é o vivo quadro, pintado pela Alma Secreta de Portugal?

 

Como é possível, não entender a linguagem Simbólica de Portugal?

 

Como é possível, o Povo Português ter-se esquecido de Portugal ?

 

O sagrado que em Portugal habita, é visível a todos os que o visitam !

                                                                      

 

Escreve-nos Paulo Loução: “ Um povo que perde a memória da sua história, é manipulado mais facilmente, a história, a cultura e as tradições do nosso País, constituem um património que urge preservar e divulgar de forma adaptada ao nosso tempo e sem anacronismos. Os Portugueses têm o privilégio de terem uma cultura com um grande sentido Universalista, poderá ser algo mais moderno?, não nos disse André Malraux que o séc XXI será espiritual, ou não será?. Os Portugueses que sentem o Mistério da Lusitanidade no seu íntimo,,,,”

 

Escreveu-nos Fernando Pessoa: “Afirmamos e afirmaremos, que o Homem que não consegue ver na Natureza, a expressão original, é intelectualmente um desesperado”

                                                                                                                                            

Visite: http://www.ippar.pt/ferramentas/mapa_site/mapa_site.html   

 

Consulte: Guia Turístico de Portugal de A a Z  (Publicações D. Quixote), e trace o seu percurso á descoberta de Portugal!

 

 

 

 

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